Uma das perguntas mais frequentes entre quem está conhecendo o Cavalo Quarto de Milha é sobre pelagem: “Essa cor é aceita no registro?” ou “Esse cavalo pintado pode ser Quarto de Milha puro?” A resposta nem sempre é óbvia — e entender as regras do padrão racial da raça pode fazer diferença na hora de comprar, vender ou registrar um animal.

A boa notícia é que o Quarto de Milha aceita uma variedade grande de pelagens. A notícia que gera confusão é que algumas pelagens comuns em outras raças simplesmente não entram no livro de registro. E isso não é julgamento estético — tem a ver com genética e com a preservação das características da raça.

Quais pelagens são aceitas no Quarto de Milha?

Tanto a American Quarter Horse Association (AQHA) quanto a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM) aceitam um amplo espectro de cores. As pelagens aprovadas incluem:

Sólidas mais comuns:

  • Alazã — pelagem avermelhada, variando do dourado ao cobre escuro; uma das mais presentes na raça
  • Alazã tostada — variação mais escura e intensa da alazã, muito valorizada esteticamente
  • Baia — corpo marrom com crina e cauda pretas; clássica e muito comum
  • Baia amarelada — tonalidade mais clara, com contraste menos acentuado da crina
  • Castanha — marrom uniforme, sem contraste marcado; frequente em todas as raças crioulas e de trabalho
  • Preta — pelagem totalmente preta, sem brilho avermelhado; menos comum mas aceita

Pelagens com diluição ou características especiais:

  • Palomina — corpo dourado com crina e cauda brancas; resultado da diluição do gene cream sobre fundo alazão; muito apreciada visualmente
  • Lobuna (dun) — tonalidade arenosa com listra de mula no dorso; associada a ancestrais primitivos
  • Rosilha — mistura de pelos brancos e coloridos que dá aparência rosada ou avermelhada
  • Tordilha — base preta com pelos brancos misturados, resultando em tons de cinza; vai clareando com a idade

Marcas brancas: Estrelas, listras, meias e botas brancas nos membros são aceitas em quantidade moderada, sem comprometer o padrão.

Quais pelagens NÃO são aceitas no registro do Quarto de Milha?

Aqui está o ponto que gera mais dúvidas. As seguintes pelagens não são aceitas para registro como Quarto de Milha puro na AQHA nem na ABQM:

  • Pampa / Pinto / Paint — cavalos com grandes manchas brancas irregulares sobre fundo colorido. Existe até uma raça americana específica para esses cavalos: o American Paint Horse, que tem origem no Quarto de Milha mas é registrado separadamente
  • Brancos — cavalos completamente brancos, incluindo cremello, perlino e branco com olhos azuis
  • Appaloosa — padrão de manchas circulares características; pertence a uma raça diferente

A razão não é que esses cavalos sejam “piores”. Muitos são excelentes animais. A questão é que essas pelagens, do ponto de vista genético, indicam a presença de genes que fogem ao padrão estabelecido para a raça — e o registro funciona como garantia de que o animal atende ao conjunto de características definidas pelos criadores ao longo de gerações.

Um cavalo com pelagem pampa pode ter toda a conformação física de um Quarto de Milha e o temperamento da raça — mas não poderá ser registrado como tal.

Qual é a pelagem mais comum no Quarto de Milha?

No Brasil e nos Estados Unidos, as pelagens mais frequentes nos registros são a alazã, a baia e a castanha — as três predominantes historicamente na raça. Juntas, elas provavelmente representam mais da metade dos animais registrados.

A palomina é uma das mais procuradas do ponto de vista estético — cavalos dourados com crinas claras têm grande apelo visual — e por isso costumam ter bom valor de mercado mesmo entre animais sem histórico esportivo expressivo.

A tordilha tem presença significativa e é particularmente valorizada em algumas famílias de sangue, especialmente as ligadas a provas de reining e western.

A pelagem influencia o desempenho?

Não há evidência científica de que a cor do cavalo afete seu desempenho atlético. Velocidade, força, instinto e temperamento são determinados por outros genes — não pelo gene de cor da pelagem.

O que a pelagem pode indicar, no contexto do registro, é a presença ou ausência de determinados genes no pedigree. Para o criador que seleciona para reprodução, isso pode ser relevante — não pelo desempenho do animal em si, mas pela possibilidade de produzir descendentes fora do padrão de registro.

Para quem quer apenas um bom cavalo para trabalho, esporte ou lazer, a pelagem é, na prática, o último critério de seleção que deveria importar. Antes disso: conformação, temperamento, aptidão e histórico familiar.

Posso criar um cavalo de pelagem não aceita?

Sim — mas sem registro como Quarto de Milha puro. Um animal com pelagem pampa, por exemplo, pode ser registrado como American Paint Horse se atender aos critérios dessa raça. Cavalos sem registro podem participar de algumas competições abertas, mas ficam excluídos dos eventos exclusivos da ABQM que exigem registro.

Para o criador que quer produzir animais com pelagem palomina, por exemplo, o cruzamento precisa ser planejado com cuidado — já que o gene cream que produz essa pelagem pode, em dose dupla, gerar animais cremello (não aceitos no registro).

A orientação mais segura: antes de decidir um cruzamento pensando na pelagem do potro, consultar um especialista em genética equina e verificar as regras atuais da ABQM.