Há algo que acontece quando você sobe pela primeira vez em um cavalo islandês e pede o tölt. O cavalo muda de passo, mas o que muda mesmo é o movimento da cravão. O cavalo acelera para algo que parece impossível — mais rápido que o passo, mais suave que qualquer trote que você já experimentou — e o cavaleiro simplesmente… vai junto. Sem impacto, sem esforço para absorver o movimento, sem nada além de velocidade e suavidade ao mesmo tempo. Para quem vem do mundo da equitação convencional, é desorientante no melhor sentido possível.

O tölt é o andamento que define o cavalo islandês, e o cavalo islandês é o que define as trilhas equestres na Islândia. Fazer turismo equestre nessa ilha é inseparável desse animal — da sua história, dos seus andamentos únicos e da cultura que o preservou por mais de mil anos de uma forma que nenhum outro país conseguiu fazer com nenhuma outra raça.

A raça mais pura do mundo equino

O cavalo islandês chegou à Islândia com os colonizadores vikings no século IX. Quando a ilha foi assentada, os colonos trouxeram cavalos das ilhas britânicas e da Escandinávia, e ao longo dos séculos seguintes essas linhagens se fundiram no ambiente isolado da ilha. Por volta do ano 982 d.C., o Althing — o parlamento islandês — proibiu a importação de cavalos à Islândia. A lei, que dura até hoje, foi a decisão mais consequente para a pureza genética de qualquer raça equina doméstica no mundo.

Por mais de mil anos, o cavalo islandês se desenvolveu sem cruzamento externo. O resultado é um animal geneticamente estável, com características que aparecem de forma consistente em toda a raça: o tölt, a andadura (o quinto andamento, ainda mais raro que o tölt), o porte baixo e robusto, a crina espessa e a resistência às condições climáticas extremas da ilha.

A Federação Internacional de Equestres Islandeses (FEIF) supervisiona a raça em mais de vinte países onde ela é criada — porque os cavalos islandeses foram exportados para o mundo, mas não podem voltar. Um cavalo islandês que sai da Islândia nunca mais pode entrar. A raça é preservada no país de origem com um isolamento absoluto.

Os andamentos do cavalo islandês

O cavalo convencional tem três andamentos naturais: passo, trote e galope. O cavalo islandês tem cinco. O tölt e a andadura são os dois adicionais, e é principalmente por eles que o turismo equestre na Islândia existe.

O tölt é um andamento de quatro tempos em que o cavalo sempre tem pelo menos uma pata no chão — o que elimina a fase de suspensão do trote e, com ela, o impacto que o cavaleiro precisa absorver. O resultado é um movimento extremamente suave que permite velocidades entre 20 e 30 km/h com conforto comparável a um passo rápido. Para trilhas longas em terreno irregular, é o andamento ideal.

A andadura (skeið) é mais rara e mais veloz — o cavalo move os dois membros do mesmo lado ao mesmo tempo, criando um balanço lateral que permite galopes de até 45 km/h com suavidade comparável ao tölt. Não é todo cavalo islandês que tem andadura desenvolvida, e os que têm são especialmente valorizados.

Para quem vai fazer trilhas na Islândia, o tölt é o andamento que vai transformar a experiência. Roteiros de várias horas que seriam fisicamente exaustivos em trote convencional ficam acessíveis — até para cavaleiros que não estão em plena forma equestre.

Onde cavalgar na Islândia

A Islândia tem trilhas equestres em praticamente todas as suas regiões, mas algumas áreas são particularmente notáveis:

Snæfellsnes

A península de Snæfellsnes, a oeste da ilha, é um dos cenários mais fotografados da Islândia. Dominada pelo vulcão Snæfellsjökull — cujo glaciar é o ponto de entrada do centro da Terra no romance de Júlio Verne — a região oferece roteiros que passam por praias de areia negra, campos de lava cobertos de musgo, cascatas e pequenos vilarejos de pescadores. O contraste entre a dureza geológica da paisagem e a suavidade do tölt cria uma experiência sensorial difícil de descrever.

Terras altas do interior

As terras altas (Highlands) da Islândia são uma das regiões mais remotas da Europa — vastas planícies vulcânicas com pouquíssima vegetação, rios de água glacial e ausência quase completa de assentamentos humanos. Só podem ser acessadas no verão, quando as estradas de montanha estão abertas (e mesmo assim, apenas para veículos 4×4 ou cavalos). Os roteiros equestres que cruzam as Highlands são para cavaleiros experientes e duram geralmente mais de uma semana.

Sul da Islândia (Suðurland)

A região sul, entre Reykjavík e a geleira Vatnajökull, concentra muitas das atrações mais visitadas do país: as cascatas Seljalandsfoss e Skógafoss, a praia de Reynisfjara, o parque nacional Þórsmörk. Várias operadoras de turismo equestre na região oferecem roteiros de um a três dias que combinam as atrações visuais com trilhas em campos de lava e planícies de cinzas vulcânicas.

As auroras a cavalo

Cavalgar sob as auroras boreais é um dos itens mais presentes em listas de desejos equestres. A Islândia está dentro do oval auroral — a faixa geográfica onde as auroras são mais frequentes e visíveis — e no outono e no inverno, com noites longas e céu limpo, as chances de ver o fenômeno são altas.

A maior parte do turismo equestre na Islândia acontece no verão, quando as noites são claras demais para ver auroras. Mas algumas operadoras oferecem saídas noturnas de outono (setembro a novembro) especificamente para cavalgar sob as auroras. São roteiros curtos, de uma a duas horas, não de vários dias — e exigem que o tempo coopere. Mas quem tem essa experiência raramente a descreve de outra forma que não seja completamente irreal.

Clima e época para cavalgar na Islândia

A Islândia tem um dos climas mais imprevisíveis do mundo. O ditado local diz: “Se você não gosta do tempo na Islândia, espere cinco minutos.” A temperatura média no verão fica entre 10°C e 15°C, com picos que raramente passam de 20°C. Chuva, vento e sol podem acontecer no mesmo dia, às vezes na mesma hora.

Para turismo equestre, o período de junho a agosto é o mais recomendado — dias longos (o sol quase não se põe no solstício de verão), trilhas nas Highlands abertas e condições geralmente mais estáveis. Setembro e outubro já têm clima mais instável, mas a possibilidade de auroras e a ausência de turistas é uma compensação real.

O que preparar para cavalgar na Islândia

Vestuário técnico — camadas impermeáveis e respiráveis são obrigatórias. A temperatura pode parecer amena, mas o vento da Islândia tem uma penetração que roupa de algodão não suporta. As operadoras geralmente emprestam ou alugam capas de chuva equestres.

Calçado — botas com solado adequado para sela. Tênis ou sapatos casuais não funcionam bem com estribo.

Experiência — a maioria das operadoras islandesas aceita iniciantes para roteiros de um dia em terreno plano. Para roteiros de vários dias ou nas Highlands, experiência com trote e galope é necessária.

Turismo equestre na Islândia: o resumo prático

Cavalgar na Islândia não é barato — roteiros de um dia custam entre EUR 100 e 200, e experiências de múltiplos dias chegam a EUR 400–800 por dia incluindo acomodação. Mas a combinação de paisagem geológica extrema, animal único e a suavidade hipnótica do tölt cria algo que não existe em mais nenhum lugar do planeta.

Quem foi uma vez invariavelmente quer voltar. Não porque ficou algo por ver — mas porque o tölt cria um tipo de memória muscular que nenhum outro andamento cria.