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Publicado em 09/03/2018 Comentários

História do Cavalo Crioulo

Durante 400 anos a mais sábia das purificadoras, a natureza trabalhou no aperfeiçoamento do cavalo crioulo.

 

Os ricos estancieiros argentinos, na ânsia de modernidade, começam a importar cavalos europeus para cruzamento com o crioulo, cuja motivação era melhorar seus plantéis. Para obter velocidade, cruzavam com o PSI e com o Percheron, com o intuito de dar mais força ao cavalo rústico crioulo, além de outras raças como o Arábe, Andaluz e Bretão.

Devido a critérios nada científico e a qualidade exagerada de cruzamento, os criadores estavam incorrendo num grande erro e não se deram conta que os cavalos estavam desaparecendo.

As reduzidas manadas de raça pura que ainda restavam pertenciam aos índios Tehuelche, tribos nômades do sul da Argentina. Essa era a situação da raça crioula por volta de 1900.

Então, surge a mão de Emilio Solanet, estancieiro, veterinário, hipólogo e professor que começou o trabalho de salvar a raça crioula, cujas as características estavam desaparecendo. Ele era dono da fazenda El Cardal, com 6.600 hectares. Tendo comprado uma remessa de gado que viajaria 1.600 km desde a Patagônia, notou que os cavalos montados pelos nativos estavam espertos e descansados. Solanet indagou os nativos a que se devia o bom estado dos seus cavalos. Eles responderam “Gateado morre antes de cansar-se”.

Dom Emilio Solanet começou a investigar a origem desses cavalos e chegou à conclusão que estava diante da mais pura raça crioula obtida pela seleção natural. Dom Emilio foi três vezes á Patagônia e cavalgando entre os índios Tehuelche, revisou em torno de 1.200 cavalos tendo escolhido 84 equinos basicamente reprodutores que foram comprados do cacique Tehuelche Sacamata e os trouxe para a estância El Cardal. Esses cavalos são os antepassados de todos os crioulos registrados hoje na Argentina e o Rio Grande do sul foi muito tempo importador de cavalos crioulos argentinos, até a chegada dos importados chilenos.

A observação atenta de Emilio Solanet que procurava o que a mãe natureza havia selecionado e sem cruzamentos exóticos procurou obter as características dos melhores cavalos e assim aperfeiçoar a raça.

Dom Emilio, sócio da conservadora Sociedade Rural Argentina pediu o reconhecimento oficial da raça, embora diante do descrédito da maioria, em 1920 conseguiu inscrever 15 exemplares na exposição de Palermo.

Essa primeira exibição foi muito criticada, mas Solanet foi impondo as suas ideias e outros estancieiros começaram a criar cavalos crioulos da mesma maneira.

Em setembro de 1922 a Sociedade Rural Argentina pediu o reconhecimento oficial da raça, embora diante do descrédito da maioria, em 1920 conseguiu inscrever 15 exemplares na exposição de Palermo. Essa primeira exibição foi muito criticada, mas Solanet foi impondo as suas ideias e outros estancieiros começaram a criar cavalos crioulos da mesma maneira.

Em setembro de 1922 a Sociedade Rural Argentina concedeu-lhe a oficialização da raça pela qual tanto trabalhara. Tendo o cavalo Olvido Cardal consagrando-se campeão em Palermo naquele ano. Este tostado nascido em 1919, um dos cavalos mais clássicos da raça, pai de 16 campeões que deixaram uma descendência de quatro gerações em centenas de cavalos.

Artigo escrito por Deolir Dall’Onder para a Revista Acontece sul, ano XII, Número 135.

 

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